O brasileiro não tem medo de cirurgia. Dados do Global Survey Results 2024, da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica (ISAPS), mostram que o Brasil é líder em procedimentos cirúrgicos: são mais de 2,354 milhões por ano. E embora um dos mais populares seja o aumento de mamas (232 mil), um procedimento que ganhou popularidade nos últimos anos foi o de explante de silicone (42 mil).
Não é preciso ter medo de fazer uma cirurgia do tipo, mas a paciente deve conhecer potenciais complicações para tomar decisões bem pensadas. Entenda o que é explante de silicone e quais as causas por trás dessa escolha.
O que é explante de silicone?
Explante de silicone é a retirada das próteses mamárias por métodos cirúrgicos. Em muitos casos, inclui também a remoção da cápsula fibrótica, membrana que o corpo cria ao redor da prótese como uma proteção a esse “corpo estranho”.
O explante de silicone era um procedimento relativamente comum décadas atrás, já que, depois de 10 ou 15 anos, a paciente tinha que trocá-las. A manutenção era um protocolo de segurança para a paciente, pois:
- antes, as próteses de silicone (décadas de 80 e 90) eram de superfície lisa, o que dificultava a aderência do material pelos tecidos. Dessa forma, a probabilidade de que a paciente sofresse uma contratura muscular era maior
- os implantes eram mais suscetíveis a rupturas, vazamentos e contraturas capsulares;
- o silicone não era coesivo (ou seja, era mais líquido), o que facilitava a migração em caso de ruptura;
- não havia exames tão precisos para detectar microfissuras ou rupturas silenciosas (sem sintomas).
Por esses motivos, médicos e fabricantes recomendavam a troca preventiva mesmo se não houvesse sinais de problema. Era uma forma de evitar complicações ocultas. Com o avanço da medicina, porém, as recomendações também mudaram.
A paciente ainda é obrigada a passar pelo explante de silicone?
Não, apenas se necessário. Hoje, o implante de silicone pode ser de superfície texturizada ou de poliuretano; os dois tipos têm chances muito reduzidas de provocar contratura muscular. Os lisos estão praticamente fora do uso pela medicina, mas vale perguntar ao cirurgião antes do procedimento.
Outro aspecto importante é que a medicina avançou muito, principalmente quando falamos de procedimentos estéticos. As próteses utilizadas nos anos 90, por exemplo, não são as mesmas que usamos hoje. A tecnologia atual traz uma série de vantagens que garantem muito mais segurança à paciente:
- as próteses são feitas com silicone coesivo (em gel firme, que não escorre facilmente mesmo se houver ruptura);
- cada implante passa por testes rigorosos de qualidade antes de serem comercializados;
- seus envoltórios são mais resistentes.
Atualmente, a paciente só precisa passar pela troca ou explante de silicone se apresentar algum problema associado ou, claro, se quiser.
Por que um paciente procura pelo explante de silicone?
Há vários motivos por trás da retirada das próteses. Conheça os principais.
Suspeita de ruptura
A ruptura ocorre quando o silicone sofre uma fissura, mas o conteúdo pode ou não vazar. É um processo raro, principalmente quando falamos das próteses texturizadas ou de poliuretano, mas não deve ser ignorado.
Uma ruptura pode acontecer por:
- traumas ou impactos diretos na prótese: batidas fortes, acidentes de carro, quedas ou compressão exagerada;
- envelhecimento do material: pode ocorrer com qualquer tipo de prótese, mas é mais comum em implantes de qualidade inferior;
- exame de mamografia: durante o procedimento, os seios sofrem pressão por tempo prolongado, o que pode causar o rompimento se o material já estiver fragilizado. Antes do exame, a paciente deve informar ao técnico de radiologia sobre a prótese;
- erro técnico na cirurgia: durante a colocação, o implante pode ser danificado por instrumentos cirúrgicos, dobramento excessivo ou posicionamento inadequado.
“Doença do silicone”
Proposta pelo médico Yehuda Shoenfeld na década de 2000, a “doença do silicone” é um tipo de ASIA (Autoimmune Syndrome Induced by Adjuvants), síndrome autoimune causada por adjuvantes, ou seja, substâncias que estimulam a resposta imunológica. O silicone pode atuar como um adjuvante.
Os sintomas costumam ser dores musculares, cefaléia, fadiga crônica, queda de cabelo, dificuldade de concentração e perda de memória. Porém, são inespecíficos, ou seja, podem se relacionar a uma série de outras complicações.
É preciso lembrar que a ASIA não é reconhecida oficialmente por todas as sociedades médicas, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o CDC (Centro de Controle de Doenças dos EUA).
Muitos especialistas consideram que ainda faltam evidências científicas robustas para que ela seja considerada uma patologia. Porém, pacientes com esses sintomas costumam relatar melhorias após a retirada das próteses.
Contratura capsular
Quando a paciente insere um implante de silicone, o corpo reage criando uma cápsula fibrótica ao redor da prótese. Esse processo é extremamente natural e normal; um mecanismo de defesa contra um “corpo estranho”.
O único problema, porém, é quando essa cápsula fica densa demais, encolhe ou endurece, o que pode deformar a prótese e causar dores intensas. A medicina chama essa condição de contratura capsular — um problema raro, que a medicina acredita atingir apenas 2% das pacientes com silicone.
Há vários motivos que podem causar essa contratura, como:
- tipo de implante e sua superfície (lisos têm maior risco que os texturizados);
- presença de sangue (hematoma) ou seroma após a cirurgia;
- resposta exagerada do sistema imunológico;
- contaminação bacteriana;
- rompimento do implante.
Em casos leves, o médico pode receitar medicamentos para conter a progressão). Caso não sejam suficientes, a paciente terá que passar pela cirurgia de capsulectomia (remoção da cápsula), substituição ou explante do silicone.
Razões estéticas ou pessoais
Com o passar dos anos, nossos gostos mudam bastante, principalmente com relação à aparência. Há vários fatores por trás dessas mudanças, como a autopercepção e a transformação das tendências estéticas. Anos atrás, era moda ter seios fartos, o que influenciava a escolha por próteses maiores.
Atualmente, não há uma “tendência” em relação ao tamanho dos seios, o que traz mais liberdade na escolha. Quando a paciente não se sente mais confortável com as próteses, ela pode solicitar pelo explante de silicone.
Troca por novas próteses
A paciente também pode fazer o explante de silicone para trocar por outras próteses com peso ou formato diferente. Novamente, vale do gosto pessoal, mas é importante respeitar as proporções corporais e não inserir um tamanho que afete sua postura.
Quem tem próteses precisa se preocupar com a doença do silicone?
Sim e não. O implante de silicone é seguro, feito com materiais de alta qualidade e que, atualmente, são muito mais resistentes. A técnica também foi refinada durante décadas para trazer melhor posicionamento e esconder qualquer cicatriz de incisão. Mas com o passar do tempo, o organismo pode, por motivos ainda desconhecidos, reagir à prótese ali inserida.
Apesar do apelido, a doença do silicone não é uma doença, e sim um conjunto de reações imunológicas que, segundo relatos das próprias pacientes, diminui após a retirada da prótese. Por ser uma manifestação recente e ainda em estudos, a OMS e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) não consideram como uma patologia existente.
Mesmo sem a confirmação, os médicos podem sugerir, depois de uma boa investigação, que o problema seja a prótese mamária.
Diagnóstico
A paciente deve relatar todos os sintomas ao médico. O diagnóstico costuma ser feito pelo mastologista ou cirurgião plástico, que conversará sobre a prótese e entenderá se esses efeitos já ocorriam antes do implante.
A síndrome pode ou não melhorar após o explante de silicone, já que, até agora, não há nada cientificamente comprovado que relacione essa reação do sistema imunológico às próteses. No entanto, isso não descredibiliza a opinião das pacientes, que devem solicitar a retirada do silicone caso percebam esses sintomas após a cirurgia.
É possível aumentar as mamas sem silicone?
Sim. Após a lipoescultura, o cirurgião pode enxertar a gordura retirada das mamas da paciente. Antes, ele faz uma limpeza desse tecido adiposo para proporcionar segurança.
É preciso, claro, estar ciente das diferenças entre uma cirurgia e outra. O implante de silicone traz mais precisão com o resultado, ou seja, a paciente pode escolher a dimensão da prótese. O material não é absorvido com o tempo; ao contrário: como o silicone é um “corpo estranho”, o organismo começa um processo de encapsulação para isolá-lo na área modificado.
Já com o enxerto, o mesmo não acontece. Nos primeiros três meses, por exemplo, o corpo absorve quase metade do conteúdo inserido. O excedente não se perderá.
Além disso, o silicone é um material mais firme, que marca o colo e projeta as mamas, enquanto o enxerto se molda de maneira mais natural.
Por fim, será preciso fazer a manutenção do implante. Mas não é preciso se preocupar: se antes, com as próteses lisas, essa troca ocorria a cada 10 ou 15 anos, hoje a paciente pode ficar por décadas sem precisar dessa cirurgia. Já o enxerto de gordura não necessita de manutenção, já que o tecido inserido é natural e retirado da própria paciente.
O enxerto de gordura nas mamas ocorre durante a lipoescultura, caso a paciente deseje.
Como visto, há motivos diferentes por trás do explante de silicone. Quando a cirurgia é feita por um cirurgião qualificado, o procedimento ocorre sem problemas. Mas o corpo pode ter alguma reação com o passar do tempo. Portanto, é essencial fazer uma revisão periodicamente com o seu médico.
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