O brasileiro é um povo vaidoso. Segundo o último relatório da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica (Isaps), o país é o que mais faz procedimentos plásticos: foram 2,3 milhões apenas em 2024. Mas quando saber que essas mudanças são saudáveis ou reflexos de outros problemas mais sérios, como a dismorfia corporal?
Cirurgiões plásticos sérios só atendem pacientes que estão física e mentalmente saudáveis. Entenda o que é dismorfia corporal, quais os principais sintomas e como fazer sua cirurgia plástica de maneira consciente. Continue a leitura.
O que é dismorfia corporal
Dismorfia corporal é um transtorno de saúde mental no qual o indivíduo vê a sua imagem de uma forma distorcida — muitas vezes, concentrando-se em um defeito que sequer existe. Também chamado de transtorno dismórfico corporal, esse incômodo persistente provoca uma preocupação excessiva com a própria aparência, a ponto de atrapalhar a rotina do paciente.
A pessoa com dismorfia corporal passa boa parte do seu tempo tentando disfarçar seu “defeito”, que pode ser minúsculo ou inexistente. É preciso entender que, nesse contexto, o “defeito” se refere à estética, e não à funcionalidade. Por exemplo: seios grandes não são defeituosos; só há um problema quando o tamanho e o peso atrapalham a saúde física da mulher.
Entenda como a dismorfia corporal funciona
Vamos a três exemplos diferentes para entendermos quais as diferenças entre pacientes com e sem dismorfia corporal.
Incômodo estético: uma mulher pode se incomodar com o tamanho dos seios (pequenos e anatomicamente caídos), mas ter uma vida normal. Em alguns momentos, sente vergonha de ir à praia ou usar um decote mais profundo; em outros, não. Quando teve oportunidade, pesquisou por clínicas sérias e fez uma mamoplastia. Depois do período pós-operatório, ficou satisfeita com o resultado.
Incômodo funcional: uma mulher tem os seios muito grandes, que pesam e atrapalham sua rotina. A paciente chega a ter problemas de coluna, pois as mamas puxam seus ombros para frente. Ela também não se sente à vontade na praia, pois tem receio de que a roupa de banho não consiga dar suporte.
Dismorfia corporal: uma mulher tem seios de tamanho, proporções e caimento considerados padrão. Porém, ela os considera pequenos e caídos. Não gosta de ir à praia e passa boa parte do dia tentando disfarçá-los. Depois de um tempo, faz uma mamoplastia e, pouco tempo após a recuperação, deseja passar por outra cirurgia — dessa vez, no abdome.
Principais sintomas
O grande sintoma da dismorfia corporal é se incomodar com um defeito mínimo ou inexistente, comumente no rosto. É um incômodo com o tamanho das orelhas, quantidade de cabelos, testa, nariz ou boca, por exemplo. Mas não se limita a essas áreas e pode variar com o tempo.
A pessoa descreve a parte “defeituosa” como feia, deformada ou medonha; sempre com adjetivos negativos. Ela também sente que todos estão observando e rindo, quando ninguém sequer percebeu o tal defeito.
Outro exemplo comum é o do indivíduo que começa a treinar. Depois de meses, ele sente que seus músculos não se desenvolveram o suficiente quando, na verdade, o crescimento está saudável. A partir daí, começa a utilizar recursos, como anabolizantes, de maneira inequívoca ou em excesso. Nesse caso, o problema é chamado de dismorfia muscular.
Em resumo, o paciente pode sofrer de transtorno dismórfico corporal se:
- repetir comportamentos excessivamente, como se olhar no espelho, ajeitar a própria roupa repetidamente ou se preocupar com os outros;
- expor-se a restrições ou esforços extremos, como dietas extremamente restritivas, anabolizantes e muitas horas na academia;
- achar que está sendo constantemente ridicularizado por conta desse defeito;
- sentir-se em sofrimento emocional profundo por conta da aparência;
- incomodar-se com um defeito físico mínimo ou inexistente;
- passar horas preocupado com a própria aparência;
- deixar de sair de casa por receio de exposição.
É comum que uma pessoa com dismorfia corporal também tenha outros problemas associados, como depressão, transtorno obsessivo compulsivo (TOC), ansiedade e transtorno por uso de substâncias. A anorexia nervosa também é um tipo de manifestação do transtorno.
Efeitos da dismorfia na autoestima
A insatisfação do corpo e a baixa autoestima, quando somadas à pressão midiática pelo físico perfeito e eterna juventude, trazem essa impressão de que o paciente tem diversos defeitos que precisa consertar. Dessa forma, ele tenta disfarçar o que o incomoda, diminui sua vida social e evita apresentações em público e outros tipos de exposição.
A dismorfia corporal não é timidez ou introversão. O indivíduo pode se achar bonito, estar satisfeito com o próprio corpo e não se sentir à vontade em público. Mas quando ele tem o transtorno dismórfico, ele passa boa parte do seu dia preocupado com o próprio corpo; portanto, acha que outras pessoas também repararão quando ele se expor.
Cirurgia para levantar a autoestima
Uma pessoa pode procurar o cirurgião plástico para “resolver” o suposto problema que ela enxerga em sua aparência. Porém, a modificação física não solucionará o incômodo que é, na verdade, de fundo emocional.
Quando uma pessoa sofre de dismorfia corporal, é comum que seu incômodo esteja no rosto — nariz, lábios, olheiras. O paciente pode mexer várias vezes na mesma região ou, assim que “resolver” o problema na face, encontrar outro incômodo no restante do corpo.
É importante entender que ter um incômodo com a aparência não significa ter dismorfia corporal. O paciente pode não gostar de determinada característica do corpo, procurar o cirurgião plástico e modificá-la conforme seu desejo e a possibilidade de modificação. Já com o transtorno, o problema é muito mais profundo e necessita de auxílio psicológico.
Quem sofre de dismorfia corporal nunca está satisfeita com a própria aparência. Ela pedirá uma modificação no nariz, por exemplo. Pouco tempo depois, fará algo mais extenso no rosto. Depois, seguirá com mais pedidos pelo corpo. É comum que, depois de algumas modificações, essa pessoa fique irreconhecível.
Cirurgia em menores de idade
Nos últimos anos, o número de jovens fazendo cirurgias plásticas com autorização dos responsáveis aumentou consideravelmente. A influência das redes sociais e a insatisfação com a própria aparência, comum entre os adolescentes, influenciam nessas escolhas.
A adolescência é uma fase em que o corpo e, principalmente, a mente ainda estão em formação. O que hoje incomoda pode não ser um problema amanhã. Para se ter uma ideia, os seios costumam se desenvolver até os 15 anos, mas em algumas mulheres esse prazo pode se estender aos 18 anos ou mais.
Há casos em que a cirurgia plástica é recomendada em jovens, como nos casos de orelha de abano (otoplastia), desvio de septo e lábio leporino. Mas, no geral, o paciente deve estar maduro tanto mental quanto fisicamente. Por isso, o ideal é que o jovem espere até que a região que deseja operar esteja plenamente adulta.
Como escolher uma cirurgia plástica de maneira consciente
Se você deseja passar por uma cirurgia plástica, veja como tomar sua decisão de maneira consciente.
Faça uma avaliação honesta
O paciente pode ter orelhas de abano e não se incomodar, enquanto outro pode detestar o nariz adunco. Ambos os problemas são estéticos e nada atrapalham o indivíduo a ouvir ou respirar, mas a decisão de passar por uma cirurgia plástica deve vir por vontade própria, não por imposição de terceiros.
Antes de tomar qualquer decisão, faça uma avaliação honesta sobre sua aparência. Pergunte-se: “eu realmente me incomodo com o problema ou estou preocupado com a opinião alheia?”
Tenha expectativas realistas
A cirurgia plástica deve respeitar as características corporais. Tentar se transformar em outra pessoa costuma não ser a melhor alternativa. Além disso, o cirurgião mostrará uma estimativa do resultado para entender como o corpo ficará após o procedimento.
Outro aspecto importante é entender que a cirurgia modifica o corpo, mas não transforma completamente a vida ou a identidade do indivíduo. Saber o que o procedimento pode e o que não pode oferecer ajuda a evitar frustrações.
Converse com um psicólogo
Falar com um profissional da saúde mental, como um psicólogo, é uma forma de cuidar da saúde mental. A terapia ajuda a entender seus gostos, desejos e necessidades, além de permitir que o paciente tome decisões mais inteligentes. Se tiver alguma dúvida, fale com um terapeuta.
É até comum que cirurgiões indiquem falar com um psicólogo antes de tomar essa decisão. O paciente descarta a dismorfia corporal e garante que a decisão não nasceu de sofrimento psíquico não resolvido.
Escolha um cirurgião qualificado
Uma pessoa com dismorfia corporal pode não esperar até o tempo de recuperação para passar por outro procedimento. E dependendo do tipo de modificação, como seios extremamente grandes ou lábios exagerados, o cirurgião se recusa a fazer para não comprometer a saúde física do paciente. Nesse caso, ele pode procurar por outro profissional menos qualificado, que fará os procedimentos e até utilizará materiais não recomendados.
Na hora de fazer um procedimento, sempre escolha cirurgiões plásticos membros da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) ou de órgãos internacionais reconhecidos. Bons médicos avaliam não só a parte física, mas também se o paciente tem estabilidade emocional para o procedimento.
Tenha hábitos saudáveis
Para passar pela cirurgia plástica, o paciente deve estar mental e fisicamente saudável. Portanto, invista em boa alimentação, exercícios físicos e uma boa noite de sono. Dessa forma, você terá mais autoestima e conseguirá tomar decisões mais conscientes. E após a cirurgia, poderá manter o bom resultado por mais tempo.
Em casos de dismorfia corporal, procure ajuda
Passar por uma cirurgia plástica é plenamente normal. Aqui, na Clínica Favano, a equipe estuda para oferecer a experiência mais agradável para nosso público. Nossa intenção é que o paciente saia feliz com o procedimento que realizou. Mas isso só será possível se a escolha for feita de maneira saudável, e não por um transtorno que necessita de auxílio médico.
Se você se identificou com os sintomas da dismorfia corporal, peça ajuda a um profissional da saúde mental. Ele recomendará o melhor tratamento para o seu caso, que pode ser com sessões de terapia e remédios.
E caso você esteja ciente de que deseja passar por uma cirurgia plástica, entre em contato com o Dr. Flávio Favano.

